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Escrever sobre corpo/corporalizar palavras


por Lucas Valentim

Buscando minha maneira de lidar com a dramaturgia teatral, minha forma de se escrever para a cena, descubro que meu interesse está voltado para o texto que nasce do corpo dos atores, das pessoas que atuam, ou seja, das suas ações cênicas. É deles também, dos atores e de ninguém mais, o mérito, o êxito da cena, da performance teatral. Sem os atores o teatro não existe. Diria mais, sem o corpo dos atores não seria possível fazer teatro. E cada corpo possui sua própria dramaturgia: uma veia que salta, um sinal, uma tatuagem - são as marcas dos caminhos por onde este corpo passou. Sua história é narrada pela sua vivência, escrita em seu templo, em sua pele. Um corpo também é escrito e reescrito em relação com a sociedade em que vive. O corpo pode ser construído de acordo com moldes oriundos do meio social em que o ator vivencia sua vida cotidiana e também sua subjetividade. O espectador também assiste à cena a partir de suas vivências e modos de enxergar o mundo: a arte. E por que não dizer que o público também teria seu corpo em conexão direta com os atores a partir de suas paixões, sensações e subjetividade? Assim, o espectador ocuparia um lugar de fruição estética e não apenas um lugar passivo no processo teatral.